Hoje é dia 12 de Agosto de 2021. Gosto de escrever as datas porque dão uma boa noção, depois de muito tempo, sobre quanto tempo se passou e tudo o que vivi nesse entre a escrita e a leitura do que escrevi. Posso dizer que é um encontro comigo mesma, através dos tempos. Por isso, escrevo a data. E também é um encontro com todas as outras pessoas que me leem. Você, oi. : )
Primeiro post do site. Há 1 ano atrás, já que estamos falando em tempo, foi quando tive a iniciativa de fazer meu próprio site. Um ato de coragem, por assim dizer, me apresentar por aqui, sendo que nem sei fazer sites. Pesquisa um pouco dali, outro daqui e escolhi essa plataforma aqui. Um investimento em mim mesma, e um novo começo para não ficar tão dependente das redes sociais para apresentar o meu trabalho.
Ainda não é como eu gostaria, não tem tanta informação assim, mesmo depois de um ano, porque já percebi que meus tempos são lentos para algumas coisas, principalmente no que diz respeito aos meus próprios projetos. Um passo de cada vez. E assim, vou aprimorando. Na mesma medida em que me aprimoro.
Ser artista no Brasil nos dias de hoje tem sido bem desafiador. Então, esse site também é um lugarzinho especial de incentivo e inspiração, para que continuemos fazendo nosso trabalho acontecer. Há muito caminho pela frente.
Vou escrevendo no meu tempo, compartilhando por aqui algumas percepções e reflexões sobre minhas vivências com a arte, educação e terapia. Sigamos! Fé no Fluxo : )
E então, escrevi e não publiquei. Hoje, já 10 de Dezembro de 2021, me deparo com essa vontade de escrever mais, e de compartilhar mais do que venho escrevendo e fazendo. Por vezes o processo criativo é tão dentro, que como uma gestação, demooooora seu tempo para passar de dentro pra fora. E aqui estou, ainda refletindo sobre o quanto quero me abrir, o quanto é necessário reservar à minha privacidade, o quanto de mim posso mostrar de maneira segura. Processos internos, que demonstram que essa negociação tá acontecendo, no momento mesmo em que escrevo essas palavras. Ah, porque a hora de publicar isso é outra, muito embora eu escreva sabendo que este momento vai chegar. Não sei quando, não sei ainda se será hoje. Será hoje que terei coragem de me expor assim?
Será hoje que terei coragem de me mostrar? Será hoje que deixarei de acreditar que se mostrar é uma coisa ruim? Ou uma coisa que traz mais problemas do que soluções? Com tantos processos em curso neste momento, sinto que é hora de ser verdadeira. O mais verdadeira que eu puder ser, comigo, com você, com o mundo. O mundo que eu vivo, que está à minha volta agora, mas também o mundo em que você vive. Ser verdadeira é atemporal. Serve para todos os espaços e todos os tempos. Nos conecta à integridade, ao nosso coração. Ser verdadeira é ser clara naquilo que sinto, que sei e que sou. Ser Clara nas minhas expressões. E a verdade? É que há tanto caminho para caminhar que me assusto. Me assusto com o quanto atrasados estamos como humanidade. Mas logo me lembro que somos um grande conjunto de pessoas juntas, e que para avançar há as expansões e as contrações, e uma parte expande enquanto outra contrai. Por isso tantos retrocessos. Para a parte que expande ter mais força e direcionamento para onde expandir, enquanto a parte que contrai pode rever seus valores e concentrar energia para ser movida pela energia que liberou. Faz sentido? É como se a humanidade fosse uma minhoca em várias dimensões, que para caminhar para a frente precisa se contrair e expandir.
Bom, quando me lembro disso, me acalmo. Lembro que está tudo no seu tempo, e que não há atrasos e nem adiantamentos. Lembro que o tempo é mais uma ferramenta de compreensão da realidade. E então percebo que não há muito o que falar, senão viver as experiências. E que o falar, este ato de escrever aqui é só uma maneira de auxiliar a processar tudo que acontece, e integrar os acontecimentos. Escrever é uma contração, e as ações que surgem depois do escrever, são as expansões.
Escrever é um ato de organização. Organização do corpo mental, e também de comunicação com o corpo emocional. É uma meditação. É entregar as palavras e pensamentos à página em branco, ao centro da terra, e então a alquimia acontece. É limpar energia em excesso, é conectar com a minha essência. É deixar a minha voz falar o que não consigo compreender ainda. Escrever é mergulhar neste universo de dentro, onde há tudo disponível e nada, nada mais falta, porque tenho tudo que preciso para a vida acontecer. Como a dança pra mim, só que de outra forma.
Aqui vou nessa aventura de compartilhar meus textos. Te agradeço a companhia.